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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

De Volta à Aruanda - Dona Zilméia

Como é de conhecimento de muitos a filha de Zélio de Moraes desencarnou em 16 de setembro, as 17h30, no mês em que completaria seus 96 anos de idade, pouco menos a própria idade da Umbanda.

Médium da “Velha Tiana” e do Caboclo Branca Lua, desde cedo acompanhava seu pai nas atividades de Umbanda, chegando a ceder seu quarto para consulentes e desvalidos que Zélio levava para tratar em casa. Ao lado de sua irmã, Zélia, esteve durante muitos anos a frente da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade (TENSP), com o desencarne desta assumiu os trabalhos da primeira tenda de Umbanda do Brasil, até que por sua vez também passou a condução para sua filha Lygia Cunha, atual dirigente, ao lado de seu filho Leonardo Cunha.

Carneirinho, desta forma Pai Antônio e o Caboclo das Sete Encruzilhadas costumava chamar a filha que teria como designação dar a continuidade na linhagem familiar de condução espiritual iniciada no dia 15 de novembro de 1908.

Dona Zilméia, como gostava de ser chamada, sem formalidades ou títulos, certa vez ao ser questionada por Marques Rebelo da Revista Espírita de Umbanda sobre “como era ser a sacerdotisa responsável da TENSP?”

Respondeu que era apenas médium como todos os outros e que tinha sim mais responsabilidades e nada mais.

Ao definir o que é Umbanda, sempre fazia repetir as palavras do “Chefe” Caboclo das Sete Encruzilhadas:

“Umbanda é Amor e Caridade”.

Médium exemplar em sua postura, comunicava-se por meio da Clarividência, Clariaudiência e Incorporação, costuma ver o Caboclo das Sete Encruzilhadas passar como se fosse um “flash de luz” ou um “raio”, sentia a presença do mundo astral tão viva como a maioria de nós percebe o mundo da matéria. Em algumas oportunidades manifestou (“deu passagem”) ao Preto Velho Pai Antônio, que trabalhou de 1908 a 1975 com Zélio de Moraes.

Poderia ainda fazer relembrar muitas situações vividas por Dona Zilméia, que sempre se lembrava do “Delegado Paula Pinto” que vinha fechando todos os terreiros de Umbanda no Rio de Janeiro e que desmaiou aos pés de Pai Antonio, se tornando freqüentador da casa após este episódio. Lembrava-nos situações com Benjamim Figueiredo (Médium do Caboclo Mirim) e de pessoas que teriam se curado das mais delicadas deficiências, como cegueira, paralisia e até uma senhora que dada como morta foi “revivida” por meio de trabalhos de Umbanda.

Sua história se confunde com a história de seu Pai e também com os “primórdios” da Umbanda.

Foto da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade




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